Pergunte à mamãe
Por Fortuna

Esta é uma conversa de mãe para filha, do tempo em que as
moças que iam casar perguntavam às mães sobre a noite de núpcias. Ela explica talvez
um pouco porque deixaram de perguntar.
É assim, minha filha. O importante é não ficar nervosa. Na hora ele bota uma
valsinha na vitrola, pede pra você pegar a sombrinha e ir andando na corda bamba. Você
já deve estar preparada, de saiote, e sem nada por baixo. Isso é importante. Ele senta
numa cadeira e fica olhando pra cima e assobiando como se não fosse com ele. Você se
concentra na música, vai botando um pezinho na frente do outro, sempre sorrindo e
mandando beijinhos como se tivesse gente assistindo. Assim ele fica mais excitado. Quando
você estiver bem distraída, ele faz "u!", você se assusta, perde o
equilíbrio e cai escanchada no colo dele. Ele faz "ú!" de novo mas aí com
outra entonação. É assim, minha filha.
Ah fez a moça e foi se preparar não muito convencida, pois a mulher do
engolidor de fogo tinha lhe ensinado diferente.
Texto extraído do livro "Acho tudo muito estranho (mas o prof. Reginaldo,
não)", Editora Anita Garibaldi São Paulo, 1992, pág. 55.
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